Os adolescentes que respiraram o Emocore do novo milênio provavelmente não esperavam tamanho barulho atualmente causado por artistas e bandas que admiravam naquela época. Festivais tais como “I Wanna Be Tour” e “Emo Vive” são alguns dos muitos e diversos exemplos de que a cultura e o movimento Emo seguem resilientes e ultrapassaram o simples status de modismo. Ser e estar “emo” equivale a um estilo de vida por vezes assinalado pela grata oportunidade de assistir nomes que marcaram uma geração. Aliás, outras tantas também são cotidianamente atravessadas por letras e riffs memoráveis, tal como é o caso do que acontecera na noite da última quarta-feira, 27 de agosto, quando três grandes bandas do início e meados dos anos 2000 foram reunidas no palco da Farmasi Arena – Story Of The Year, Yellowcard e Fall Out Boy.
Inicialmente, Story Of The Year contou com um público bastante modesto. Porém, o carisma de Dan Marsala, vocalista, foi um dos responsáveis por fazer com que os fãs ali presentes se sentissem acolhidos por uma atmosfera enérgica que perdurou por toda a apresentação da banda, estendendo-se às demais. Performando principalmente sucessos de seu primeiro álbum de estúdio, o emblemático “Page Avenue” (2003), o SOTY provou ao público porque uma de suas marcas registradas corresponde às bases melódicas típicas do Pós-Hardcore dos anos 2000, juntamente aos screamos muitíssimo bem executados, diga-se de passagem. Um dos pontos altos foi a balada “Sidewalks”, com direito à participação do público, responsável por embalar o momento com suas lanternas de celulares. Cabe ainda lembrarmos a verdadeira celebração punk em “‘Is This My Fate?’ He Asked Them”, faixa durante a qual os fãs mais ousados lideraram um mosh pit, nome dado às famosas e frequentes “rodinhas” que ocorrem nas apresentações de algumas bandas mundo afora. Os membros se despediram de seus admiradores brasileiros ao som do hino “Until The Day I Die”, single que até os dias atuais é tido por muitos como um clássico indispensável nas playlists de Emocore.

© Jennifer Celeste
Com uma introdução literalmente cinematográfica e interlúdios enigmáticos dos filmes oitentistas “E.T., O Extraterrestre” e “De Volta Para o Futuro”, Yellowcard trouxe ao palco o melhor do Punk Rock, perpassando por grandes sucessos de sua carreira, com especial destaque para “Only One” e “Lights & Sounds”. O toque especial ficou por conta do afinado violino de Sean Mackin, que elevou as canções do grupo a patamares distintos no universo do Rock Contemporâneo, particularizando-a diante de bandas comprometidas com o gênero. A icônica apresentação dos americanos deu-se por finalizada ao som de “Ocean Avenue”, deixando um gostinho de “quero mais” que seria apaziguado apenas com o terceiro e último show previsto para a noite.
Aproximadamente às 22h, Fall Out Boy adentrou o palco da Farmasi Arena, provando a qualquer cético que a banda envelheceu como vinho e ainda continua dona de hits que foram capazes de fazer com que o público saísse de seus confortáveis assentos para viver uma experiência verdadeiramente “emo”. A estrutura de palco e o conjunto de artes dos telões e luzes fizeram do show do querido FOB uma apresentação para habitar e permanecer na memória daqueles que um dia cantaram a plenos pulmões hinos como “Sugar, We’re Goin Down” ou “Thnks Fr Th Mmrs” em seus quartos com paredes repletas de pôsteres. A banda demonstrou certa sagacidade ao tentar agradar antigos e novos admiradores de seu trabalho, performando também algumas canções de álbuns lançados após o hiato de “Folie à Deux”, o qual ocorrera em meados de 2010. O local tremeu na base quando os primeiros acordes de “This Ain’t a Scene, It’s an Arms Race” foram tocados. O mesmo aconteceu na contagiante “Dance, Dance” e na atemporal “Saturday”, que fechou o show comandado por Patrick Stump e companhia.
“Make Brazil emo again”, dizem os saudosistas. De fato, o país tem vivido de maneira profunda esse movimento que acessa emoções, expressa sentimentos e, é claro, constitui-se daqueles que não temem estar no mundo da maneira como deveria ser – livre e visceral. Após esta noite, uma certeza: definitivamente, não foi apenas uma fase.
As bandas continuam suas turnês de passagem pelo Brasil apresentando-se na edição paulista do festival “I Wanna Be Tour”, a ser realizado dia 30 de agosto.
Texto de Jennifer Celeste
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STORY OF THE YEAR, YELLOWCARD & FALL OUT BOY
BRAZIL TOUR 2025
27 de agosto, Farmasi Arena, Rio de Janeiro
SETLIST STORY OF THE YEAR
- Tear Me To Pieces
- War
- And The Hero Will Drown
- Dive Right In
- Anthem Of Our Dying Day
- Take Me Back
- The Antidote
- Real Life
- Sidewalks
- In The Shadows
- “Is This My Fate?” He Asked Them
- Until The Day I Die
SETLIST YELLOWCARD
- Only One
- Lights & Sounds
- Breathing
- Honestly, I
- Believe
- Way Away
- Bedroom Posters
- Keeper
- For You, And Your Denial
- Awakening
- With You Around
- Better Days
- Ocean Avenue
SETLIST FALL OUT BOY
- Intro
- Love From The Other Side
- Sugar, We’re Goin Down
- Grand Theft Autumn / Where Is Your Boy
- A Little Less Sixteen Candles, a Little More “Touch Me”
- Uma Thurman
- Disloyal Order Of Water Buffaloes
- I Don’t Care
- The Phoenix
- Thriller
- Dance, Dance
- Immortals
- Bang The Doldrums
- This Ain’t a Scene, It’s an Arms Race
- My Songs Know What You Did In The Dark (Light Em Up)
- The Last Of The Real Ones
- What a Catch, Donnie (Acoustic Version)
- Golden (Acoustic Version)
- So Much (for) Stardust
- Thnks Fr Th Mmrs
- Get Busy Living Or Get Busy Dying (Do Your Part To Save The Scene And Stop Going To Shows)
- Centuries
- Saturday
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