O BaianaSystem marcou a cena cultural paulistana ao realizar, pela primeira vez em São Paulo, o Baile Pirataria, evento que passou a integrar o calendário de pré-carnaval da capital. A estreia aconteceu neste sábado (24/01), no Memorial da América Latina.
Concebido como uma experiência que extrapolou o formato tradicional de show, o Baile Pirataria reafirmou a identidade do BaianaSystem como um dos projetos mais inventivos da música brasileira contemporânea. No palco, o grupo apresentou a força do Afro Rock, fusão que combinou sound system, guitarra baiana e ritmos populares brasileiros como samba-reggae, ijexá, rap, funk e música eletrônica, criando uma atmosfera de alta intensidade sonora e coletiva.
“Eu não me considero um artista, eu me considero um artesão. A partir do momento em que estou esculpindo a minha arte, preciso ter o maior respeito pelo que pretendo fazer e pelo que quero mostrar ao meu público. Isso, para mim, é satisfação total.” Lazzo Matumbi

Foto de Marcello Fim/Zimel
A estreia do baile, reunindo milhares de pessoas em uma celebração marcada por música, identidade e experimentação sonora, representou também um movimento simbólico de expansão do carnaval e de suas narrativas.
Tradicionalmente associado à Bahia, o projeto se inseriu no contexto paulistano sem abrir mão de suas raízes, dialogando com a diversidade cultural da cidade e com um público plural. O Memorial da América Latina funcionou como cenário estratégico, reforçando o caráter cultural e político do encontro.
“Existe um provérbio africano que diz que a água sempre encontra um meio, e eu acredito nesse tipo de força: uma força fluida, líquida, disposta a dialogar e a se adaptar. Há anos venho dialogando com o mundo, por meio da minha música, a partir dessa perspectiva das águas.” Luedji Luna

Foto de Marcello Fim/Zimel
Com participações especiais de Luedji Luna, Lazzo Matumbi e Emicida, o Baile Pirataria aprofundou o conceito de “Sulaméfrica”, que orienta a estética e o discurso do BaianaSystem ao conectar heranças africanas e sul-americanas. Mais do que uma proposta musical, a ideia se materializou como um território simbólico onde som, corpo e discurso se encontraram para promover pertencimento, reflexão e celebração coletiva.
Os DJs Magrão e Lyz Ventura conduziram a pista com sets que misturaram ritmos brasileiros e batidas contemporâneas, enquanto o bloco afro Ilu Obá de Min levou ao baile a força da percussão e da ancestralidade. Já o coletivo Cornucópia Desvairada adicionou uma camada performática e irreverente ao evento, reforçando o caráter híbrido e experimental da proposta.
Ao encerrar sua primeira edição paulistana, o Baile Pirataria consolidou-se como um marco do pré-carnaval da cidade, reafirmando o carnaval como espaço de afirmação identitária, experimentação artística e construção coletiva no coração de São Paulo.
MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA, SÃO PAULO (SP) – 24 DE JANEIRO DE 2026
Texto de Felipe Marques e Fotos de Marcello Fim para o ZIMEL

Foto de Marcello Fim/Zimel
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