No avançar da tarde, nos aproximando daquele momento de “golden hour”, quem subiu ao palco do Lollapalooza essa sexta-feira (20) foi o aclamado produtor, cantor, compositor e multiinstrumentista Dev Hynes. Ele é mais conhecido por já ter colaborado com grandes nomes, como Kylie Minogue, Mac Miller, Lorde e Turnstile. Mas para o Lollapalooza Brasil ele se apresentou como Blood Orange, seu projeto solo pop mais experimental, que transita entre R&B, indie e eletrônica.
Frente às atrações seguintes que tomariam o palco nas próximas horas – as americanas Doechii e Sabrina Carpenter – Blood Orange era um ponto fora da curva. Longe das teatralidades, a apresentação era mais contida no palco, mas contava com banda completa e dois vocalistas excelentes. O grupo teve a missão de embalar o público, que já era numeroso no início e foi agregando quem passava até o final. Por fim, o show funcionou e muito. Atrás do teclado, Hynes divulgou seu novo disco “Essex Honey”, entre outros singles e até um cover de The Smiths quase sem pausas. Enquanto engatava uma faixa atrás da outra por mais de uma hora sem muito papo, a banda dialogava com os presentes que respondiam dançando e aplaudindo ao final de cada faixa.
A música de Blood Orange soa como um atravessamento talentoso dos diversos artistas e estilos com quem Hynes já trabalhou. O produto final transborda de alma e identidade própria, mesmo trazendo tantas influências. Além disso, era tão satisfatório ver o entrosamento da banda quanto curtir as músicas. Com esse carisma e de seu próprio jeito, Blood Orange nos lembra que atrações com propostas diferentes podem dar muito certo no lineup. Afinal, descobrir novos artistas favoritos é uma das propostas mais divertidas em festivais.
Destaques: “…Vivid Light”, “Best to You” e “Jesus Freak Lighter” (Bônus: “How Soon is Now” de The Smiths no violoncelo)
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