Com três décadas na estrada, o Foo Fighters chega ao seu 12º álbum de estúdio, o direto e reto “Your Favorite Toy”. Em pouco mais de meia hora, as 10 faixas entregam exatamente o que o fã espera: a identidade da banda intacta, sem invenções mirabolantes. É claro que as comparações com o passado são inevitáveis, e sejamos honestos: ele não vem para desbancar o status de clássicos como The Colour and The Shape ou a escala épica de Sonic Highways. Mas, quer saber? Tudo bem.

O disco não é exatamente uma surpresa, já que foi revelado aos poucos nos últimos meses. Singles como “Caught In The Echo” e “Of All People” prepararam o terreno, enquanto “Asking For A Friend” já vinha sendo testada na energia caótica de shows surpresas em clubes pequenos. A faixa-título já entregava que a banda iria para um caminho de retorno ao básico, com guitarras suadas e aquele espírito de garage rock que parece ter sido resgatado lá dos anos 90.

Se o álbum anterior, But Here We Are (2023), era um mergulho necessário no luto e na melancolia, “Your Favorite Toy” é o reencontro com o sol — ainda que as cicatrizes continuem ali. O título soa como uma metáfora perfeita para Dave Grohl e cia: a música como aquele brinquedo favorito que a gente resgata do baú para se confortar. É o Foo Fighters recuperando o brilho nos olhos e tocando pelo puro prazer da coisa.

No meio do álbum, “Unconditional” e “Child Actor” pedem licença para virar hinos. Especialmente “Unconditional”, que carrega um refrão catártico e guitarras que remetem aos tempos áureos da banda. Dave Grohl entrega aqui uma das suas performances vocais mais cruas dos últimos anos. Ele transforma o conceito de amor incondicional em um grito de sobrevivência, daquelas músicas feitas sob medida para fazer um estádio inteiro pular.

Gravado de forma caseira, o álbum teve a co-produção dividida entre a banda e Oliver Roman (que também assina a engenharia), com a mixagem final de Mark “Spike” Stent. O resultado? Um disco sem frescuras, honesto e que cumpre o que promete: ser o rock’n roll que nos salva em dias difíceis.

por Marcello Fim