Quem acompanha a Copa do Mundo de 2026 já deve ter percebido uma trilha instrumental marcante no momento em que as seleções entram em campo. A música é “Sirius”, do The Alan Parsons Project, faixa lançada em 1982 e que, décadas depois, ganhou novo alcance mundial ao embalar a cerimônia de entrada dos jogadores antes dos hinos nacionais.
A escolha chama atenção por fugir do padrão de músicas pop recentes ou canções compostas especificamente para o torneio. Com sintetizadores, ritmo cadenciado e uma construção progressiva de tensão, “Sirius” funciona como uma peça de impacto: prepara o estádio, aumenta a expectativa do público e transforma a caminhada até o gramado em um momento de espetáculo.

“Sirius” é a música oficial da Copa do Mundo?
Não. Embora seja a música tocada na entrada das equipes, “Sirius” não é o hino oficial da Copa do Mundo de 2026. A canção escolhida pela FIFA como anthem do torneio é “DNA”, interpretada por Andrea Bocelli, David Guetta, Megan Thee Stallion e EJAE. A faixa integra o programa musical oficial da competição e foi apresentada como uma síntese de elementos clássicos, eletrônicos e pop globais.
A diferença é importante: enquanto “DNA” ocupa o papel institucional e promocional da Copa, “Sirius” foi incorporada à experiência pré-jogo, funcionando como uma trilha de entrada das seleções. É ela que tem despertado a curiosidade dos torcedores durante as transmissões e nos vídeos compartilhados nas redes sociais.
A ligação de “Sirius” com Michael Jordan e o Chicago Bulls
Muito antes de chegar à Copa do Mundo, “Sirius” se tornou conhecida no esporte como a música de apresentação do Chicago Bulls, da NBA. A faixa passou a ser utilizada pela equipe em 1984, justamente no início da trajetória de Michael Jordan na franquia, e ganhou dimensão mundial durante a era vitoriosa do time nos anos 1990.
A associação com os Bulls é praticamente inevitável para quem viveu — ou revisitou — a fase dourada da equipe, marcada por Jordan, Scottie Pippen e Dennis Rodman. O som eletrônico e crescente de “Sirius” antecedia a apresentação individual dos atletas e ajudou a construir uma das entradas mais reconhecíveis da história do esporte.
Na Copa do Mundo, a música ressurge com função semelhante. A faixa não depende de letra ou idioma para gerar reconhecimento: sua força está na atmosfera de suspense e grandeza, capaz de dialogar com torcedores de diferentes países.
Por que “Sirius” funciona tão bem no futebol?
A escolha de “Sirius” traduz uma lógica cada vez mais presente nos grandes eventos esportivos: transformar cada etapa da partida em entretenimento. A entrada em campo deixa de ser apenas uma passagem protocolar e passa a integrar a narrativa audiovisual do jogo.
Na Copa de 2026, os 26 jogadores de cada seleção entram em campo, e não apenas os titulares, reforçando o caráter coletivo da cerimônia. Em seguida, atletas e arbitragem se posicionam para os hinos nacionais, em uma encenação pensada para ampliar a experiência dentro do estádio e nas transmissões.
Não há, até o momento, uma explicação oficial detalhada da FIFA sobre a escolha de “Sirius”. Ainda assim, a conexão com a cultura esportiva dos Estados Unidos é evidente. A Copa é sediada por Estados Unidos, México e Canadá, e a adoção de uma música eternizada pela NBA reforça a aproximação entre o futebol e a linguagem de espetáculo típica das grandes ligas norte-americanas.
Mais de 40 anos após seu lançamento, “Sirius” encontrou uma nova geração de ouvintes. A música que ajudou a apresentar Michael Jordan ao mundo agora acompanha seleções de todos os continentes no maior palco do futebol.
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