Lewis Capaldi fez neste sábado (21) sua estreia no Brasil no Palco Budweiser do Lollapalooza, no horário das 19h05 às 20h05, entrando justamente naquele espaço delicado entre a ansiedade pela headliner da noite e a necessidade de segurar um público já instalado na grade desde cedo. Segurou — e mais do que isso. O escocês encontrou em Interlagos uma plateia pronta para recebê-lo não como mero nome de line-up, mas como protagonista de um dos shows mais emocionais deste segundo dia de festival.
Havia um peso extra nessa apresentação. Capaldi chegou ao Lolla depois de uma pausa de quase dois anos, iniciada após as dificuldades vividas no palco de Glastonbury em 2023, quando a síndrome de Tourette e a pressão emocional o levaram a interromper a agenda para cuidar da saúde mental e física. Seu retorno ganhou novo capítulo com o EP Survive, lançado em 2025, e isso ajuda a entender por que o show de hoje parece ter sido lido por tanta gente menos como “estreia em festival” e mais como um rito de recomeço.
O show transcorreu sem grandes truques cênicos, quase sem ornamento, sustentado por banda, voz, piano, violão e repertório. Em um festival acostumado a pirotecnia visual e excesso de estímulo, Capaldi fez o caminho inverso: apostou na canção. E funcionou. O público respondeu em coro a vários momentos do set, especialmente em “Before You Go” e no encerramento com “Someone You Loved”, transformando a apresentação em algo que parecia menos performance unilateral e mais abraço coletivo.
O repertório reforçou essa narrativa. Além dos hits que consolidaram sua carreira, como “Before You Go”, “Forget Me” e “Someone You Loved”, Capaldi apresentou faixas do novo ciclo, entre elas “Survive” e “The Day That I Die”, esta última sendo um dos momentos mais fortes da noite. Há algo de muito particular nisso: quando um artista volta depois de um colapso público e canta justamente sobre permanência, perda e reconstrução, a recepção já não passa só pelo gosto musical — passa também pela maneira como a plateia reconhece fragilidade e decide responder com afeto.
Talvez essa tenha sido a grande força do show de hoje. Lewis Capaldi não precisou vencer o barulho do festival com espetáculo; venceu com presença humana. E isso, no meio de um Lollapalooza movido a pressa, troca de palco e excesso, é quase um gesto de contracorrente. Não surpreende um resumo sincero da apresentação seja elevado a um momento de “calma e cura coletiva”. Em Interlagos, por uma hora, foi exatamente isso que ele entregou.
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