Quem olhou para o nome Foto em Grupo quando ele apareceu no line-up do Lollapalooza Brasil 2026 talvez tenha pensado em aposta, mistério ou jogada de bastidor. Neste sábado (21), em Interlagos, o projeto enfim se apresentou ao vivo no festival e transformou a curiosidade em corpo, som e resposta de plateia. O quarteto subiu ao Palco Samsung Galaxy às 15h50, em sua estreia no Lolla, já carregando o peso de reunir Ana Caetano, Pedro Calais, Zani e João Ferreira — nomes ligados a Anavitória, Lagum e Daparte —, mas tentando fugir justamente da armadilha de ser apenas uma soma de currículos.

Esse contexto ajuda a entender por que havia expectativa ao redor do show. O grupo foi oficializado junto do anúncio do line-up do festival, lançou em dezembro de 2025 o disco homônimo e chegou ao Lollapalooza depois de uma pequena sequência de apresentações usada como aquecimento para Interlagos. Em entrevistas antes do festival, os integrantes vinham insistindo em duas ideias: espontaneidade e palco como lugar central para a identidade da banda, com trocas de instrumentos, revezamento de vozes e uma energia menos “supergrupo calculado” e mais reunião genuína de amigos que resolveram transformar afinidade em projeto.

No relato enviado para esta matéria, foi exatamente isso que apareceu na prática. O show manteve a lógica dos gigs anteriores, com guitarras de perfume nostálgico, estética atual e vocais alternados, como se cada integrante puxasse o repertório para um lado e, ainda assim, tudo terminasse no mesmo lugar. Havia ecos perceptíveis das bandas de origem, claro, mas sem a sensação de colagem preguiçosa. Pelo contrário: a impressão foi de um projeto que já encontrou personalidade própria cedo demais para quem ainda está no começo.

Talvez esse tenha sido o dado mais interessante da apresentação. Foto em Grupo chegou ao Lollapalooza com aquela desconfiança típica que cerca todo “supergrupo”, ainda mais um que foi anunciado antes mesmo de o público ter música para ouvir. Saiu de lá, ao menos pela recepção descrita no seu relato, com algo mais valioso: a impressão de que não está vivendo só do capital simbólico de Anavitória, Lagum ou Daparte. Para um festival em que tanta coisa passa correndo, isso já é bastante. E, para uma estreia, é um ótimo começo.