Sexta passada marcou um dos shows de retorno da Fundição Progresso, e a ocasião não pode ser mais especial: Planet Hemp retornando ao palco histórico da casa de show, no Rio de Janeiro. A noite que já tinha todos os ingredientes para ser especial, também contava com uma surpresa por parte da banda: três músicas novas seriam executadas de forma inédita.

Marcelo D2, B Negão e toda a trupe entram na casa e já tocam as novas de uma vez: “Taca Fogo”, “Puxa Fumo” e “Distopia” mostraram uma nova faceta da banda, mas que não incomoda aos ouvidos já acostumados dos fãs do grupo carioca. Misturando elementos já conhecidos da banda, as novas composições passeiam por terrenos já mapeados, mas não sem desafiar os ouvidos com rimas ácidas e grooves acachapantes. Em “Distopia”, um refrão melodioso faz total contraponto com “Taca Fogo”, onde toda a rispidez sonora do grupo é despejada em versos como “Hey, de quem é os 39 quilos?/Bum, acorda a favela com tiros/crianças não vão pra escolas/Sei, cota não é esmola”.

Depois disso, foi um festival de clássicos. Permeando toda a carreira, o grupo não pode deixar de fora clássicos como “Queimando Tudo”, “Mantenha o Respeito” e “Ex-Quadrilha da Fumaça”, antes da incansável “Stab”, o grupo lembrou da sempre presença indubitável de Black Alien na sua história e respeito por Skunk e SpeedFreaks, dois ex-membros falecidos do Planet Hemp.

Em duas noites de show, o Planet Hemp mostrou que, mesmo com mais de trinta anos nas costas, continua atual, versátil e desafiador. O show do grupo é um deleite visual, sonoro e olfativo (quem pegou, pegou).