O primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2026 começou com cara de edição grande e terminou com a certeza de que Sabrina Carpenter era mesmo o nome mais aguardado da sexta-feira. Com os ingressos de day pass esgotados antes da abertura dos portões, o festival levou uma multidão ao Autódromo de Interlagos e viu o Palco Budweiser ser tomado por fãs que passaram o dia inteiro guardando lugar para a cantora, escalada para encerrar a programação principal às 21h30. A expectativa não era pequena, mas o tamanho da resposta do público deixou claro que Sabrina já ocupa no Brasil um espaço de estrela pop de primeira linha.

No palco, ela fez o que se espera de uma headliner pop em alta rotação: entregou carisma, timing e repertório. A apresentação foi construída em torno da estética bem-humorada e sedutora que tem marcado essa fase da artista, com base sobretudo nos álbuns Short n’ Sweet (2024) e Man’s Best Friend (2025), algo que já vinha sendo apontado na prévia da imprensa e que se confirmou em Interlagos. Houve interação em português, gesto calculado e eficiente para estreitar a relação com a plateia, e também um daqueles momentos de festival que viram assunto instantaneamente: Sabrina ergueu no palco uma bandeira do Brasil estampada com o próprio rosto, num aceno que o público recebeu como quem reconhece o jogo e agradece a dedicação.

O ápice dramático veio em “Juno”, número que já virou tradição nos shows da cantora. Desta vez, a escolhida para a brincadeira foi Luísa Sonza, que apareceu no telão e levou o público ao delírio. Foi o tipo de participação que ajuda a transformar um show grande em acontecimento pop de verdade, com conversa entre cenas, fandoms e redes. Depois, Sabrina fechou a noite com “Espresso”, provavelmente a faixa mais inevitável do seu repertório recente, coroando um set que soube dosar apelo comercial e presença de palco sem parecer automático.

Também ajuda a entender a força dessa sexta o contraste que o festival ofereceu ao longo do dia: no mesmo recorte de programação em que Sabrina dominou o pop, passaram pelo line-up nomes como Doechii, Deftones, Interpol, Negra Li e Kygo, reforçando uma curadoria que apostou na diversidade de gêneros como marca de abertura. O resultado foi um primeiro dia que funcionou não apenas pelo peso de uma headliner, mas pela sensação de que Interlagos, mais uma vez, conseguiu reunir tribos demais para caber numa descrição só.