Skrillex subiu ao Palco Samsung Galaxy às 20h10 deste sábado (21) já com um peso simbólico raro dentro do Lollapalooza Brasil: esta foi sua quinta apresentação no festival, marca que o consolida como o DJ que mais vezes passou pelo evento. Não era apenas mais um retorno; era a volta de um artista que, há anos, parece entender como poucos a temperatura do público brasileiro.
E o show de hoje parece ter confirmado exatamente essa intimidade. Com um set frenético, de transições rápidas, graves pesados e quase nenhuma trégua, num desenho de pista que misturou repertório autoral, remixes e uma condução muito física da multidão. A leitura faz sentido: antes do festival, a expectativa já era de um show moldado menos por “setlist fixo” e mais pelo instinto de pista, aquele tipo de performance em que Skrillex lê o público em tempo real e vai empilhando tensão e catarse.
O detalhe mais interessante, porém, foi o sotaque brasileiro que atravessou a apresentação. Srillex incluiu no set a faixa “Puta que Pariu”, com MC Dricka, e também “SYRINX”, colaboração com os brasileiros RHR e Me Jesmay, ampliando esse diálogo entre bass music, funk e cena local. Na prática, não foi um gesto decorativo: foi uma forma de abrasileirar a própria lógica do show e fazer o Lolla soar, por alguns minutos, menos como festival importado e mais como pista híbrida, caótica e muito nossa.
Talvez por isso o show tenha dado a impressão de ser maior do que seu próprio horário. Quando um artista consegue misturar “Where Are Ü Now”, humor de pista, acenos ao funk e a agressividade elegante que sempre marcou sua assinatura, o resultado deixa de ser só entretenimento eletrônico e vira ocupação de espaço. Em um sábado cheio de nomes fortes, Skrillex fez algo difícil: transformou o palco em território dele e lembrou que sua história com o Lollapalooza Brasil já não é a de um convidado — é a de um veterano que sabe exatamente como incendiar Interlagos.
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