O palco do Circo Voador já é parada obrigatória para a cantora Duda Beat há alguns anos. A energia e o público dessa casa abraçam a artista e sua banda desde janeiro de 2019, quando estreou por aqui. Assim, a recifense transformou outra vez o palco na Lapa carioca nessa primeira passagem de 2026. Para o show “Tara e Delírio” – uma brincadeira com os títulos “Tara e Tal” e “esse delírio vol.1” – a cantora trouxe uma passarela, um telão de LED e a força de um repertório estendido, que juntos proporcionaram uma experiência muito especial. A proposta do show é infiltrar as faixas do EP “esse delírio vol. 1” na turnê de seu último disco completo. Mas o show no Rio deu um passo além.
Sob a direção criativa de Flávio Verne, o show colecionou acertos. A setlist teve cerca de 30 músicas – mesmo que algumas tenham sido apresentadas em medley (muito bem estruturado). Sequências como “Pro Mundo Ouvir” > “Nem um Pouquinho” > “NiGHT MARé”, uma de cada álbum, mostraram solidez e coesão mesmo com uma discografia muito diversa, em vez de optar por uma apresentação categorizada em blocos mais “óbvios”. Liberdade de quem tem uma banda talentosa e competente e não precisa se prender a tradicionalismos ao vivo. Além disso, as participações de Ajuliacosta e TZ da Coronel foram deliciosas – embalando duas faixas excelentes do EP mais recente – e adoradas pelo público presente. A setlist, afinal, equilibrou muito bem hits consagrados e obras mais recentes.

Participações no palco e na plateia
No visual, o corpo de bailarinos, a iluminação e a cenografia em LED mudavam o clima e te colocavam dentro da atmosfera de cada faixa, conduzindo um show imersivo no qual a plateia do Circo não teve receio de entrar. O público acrescentou camadas palpáveis ao longo da noite fazendo coro em todas as canções. Entre aplausos, elogios e pedidos de autógrafo, o show de Duda Beat tem esse elemento catártico desde o dia 1. Conforme o tempo passa, ele só se renova.
Enquanto “Tara e Tal” figura como terceiro álbum de estúdio, a cantora caracterizou “esse delírio” como um EP de transição. A previsão de lançamento para o DB4 é somente no final de 2026. Ainda não sabemos dizer qual a direção que o novo disco deve seguir, mas a apresentação da noite passada anima ao nos lembrar que Duda Beat é uma artista que consegue se reinventar e seguir por diferentes caminhos sem se perder.
Duda Beat no Circo Voador
27 de março de 2026, Rio de Janeiro
OBS: O show de abertura ficou por conta da ótima Natascha Falcão. Entre canções autorais e alguns covers, animou o público com uma apresentação completa, voz e carisma. Do lado de fora do Circo, um amigo contou ter ouvido alguém dizer: “está rolando um forró bom ali!”
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