Headliner do Skyline, o Green Day fez uma apresentação irretocável, transformando o gramado em um coro uníssono de lanternas e vozes. Billie Joe Armstrong esbanjou carisma, enrolou-se na bandeira do Brasil, conversou com a plateia e ainda brincou com um balão em formato de dirigível com os dizeres “Bad Year”. O set — cantado do início ao fim — cravou o tom da noite: punk rock em alta voltagem.

“O Billie Joe é um dos frontman mais carismáticos que eu conheço. O show do Green Day sempre entrega muito”, disse Amanda Carvalho Martins, 35, atriz, que veio de São Paulo para rever a banda.

Lendas em série: Bad Religion, Bruce Dickinson e Capital Inicial

Bad Religion | Foto: Marcello Fim/Zimel

Pouco antes, o Bad Religion confirmou por que é referência do punk californiano há quatro décadas: energia afiada e letras de crítica social guiando hits como “21st Century” e “American Jesus” em um dos pontos altos do Skyline.

Bruce Dickinson | Foto: Marcello Fim/Zimel

Na sequência, Bruce Dickinson levou ao palco a força de sua carreira solo, técnica vocal impressionante e carisma de sobra — com direito à raridade “Flash of the Blade”, que ficou 41 anos fora dos shows. Na grade, Silvia Marina Pedrosa, 56, assistente social, vibrou com a volta do ídolo:

“Sou uma mulher surda, mas reconheço as músicas pelas vibrações e pela leitura labial dele no palco. Virei fã aos 14 anos. Em 1985, vi o Iron no primeiro Rock in Rio. Nunca deixei de acompanhar.”

Abrindo os trabalhos do Skyline, o Capital Inicial puxou um grande karaokê roqueiro com “Natasha”, “Quatro Vezes Você” e “Primeiros Erros”, lembrando sua importância na cena nacional.

The One ovaciona Iggy Pop: o padrinho do punk em estado bruto

Iggy Pop | Foto: Marcello Fim/Zimel

No The One, o retorno triunfal de Iggy Pop ao Brasil foi o momento mais aguardado do dia. Aos 78 anos, o “padrinho do punk” se jogou no palco com a vitalidade de sempre, incendiando a multidão com “Funtime”, “The Passenger” e “I Wanna Be Your Dog”.

O palco também celebrou o peso do rock brasileiro: Pitty emocionou com clássicos como “Admirável Chip Novo” e conduziu um coro em “Na Sua Estante” ao violão. CPM 22 ligou o modo anos 2000 com “Dias Atrás” e “Um Minuto para o Fim do Mundo”, abrindo rodinhas punk. Na abertura, Supla & Inocentes entregaram um set vibrante e sem concessões.

Para Vladimir Brito, 56, projetista, e Letícia Fernanda, 26, administradora, que foram juntos ao festival, a noite tinha dois focos de ansiedade: Bruce Dickinson para ele; Pitty e Green Day para ela. “A Pitty é a artista que mais quero ver, é especial para mim”, disse Letícia.

Factory destaca novas vozes e momentos surpresa

O Factory ampliou a paleta sonora do dia. Tihuana revisitou sucessos como “Tropa de Elite” e ainda testemunhou um pedido de casamento no palco, feito pelo fotógrafo da banda. A cantora Buhr trouxe estética experimental, cruzando política, poesia e música; Ready to Be Hated mostrou a potência da nova geração; e The Mönic convida Raidol reforçou a força do rock alternativo nacional.

Quebrada reafirma a potência periférica

No Quebrada, o mineiro Black Pantera despejou uma mistura explosiva de hardcore e thrash. A parceria Punho de Mahin & MC Taya levou representatividade, rimas afiadas e groove. A Batalha da Aldeia – Superliga deu sequência às eliminatórias: Big Mike (SP) superou MT (RJ); Kaemy (GO) venceu Prado (SP); Devilzinha (RJ) derrotou Tubarão (SP); e Ajota (SP) levou a melhor sobre Julietz (MG). Nas semis, Big Mike venceu Kaemy e Devilzinha superou Ajota — ambos estão na final, marcada para 14 de setembro.

São Paulo Square vira clube de jazz a céu aberto

Sofisticação também teve lugar na São Paulo Square: Kamasi Washington hipnotizou com longas composições que fundem jazz contemporâneo e hip hop. A Orquestra Mundana Refugi celebrou diversidade com músicos de diferentes países, enquanto a The Square Big Band e a cantora Clariana (em tributo a Amy Winehouse) deram o tom de uma noite elegante.

The Tower fecha em clima eletrônico com Cat Dealers

Para encerrar em alta, o duo Cat Dealers assumiu a The Tower Experience com um set explosivo, efeitos visuais e pista lotada até o último minuto — um final em luzes para um domingo que entrou para a história do festival.

Números do fim de semana e avaliação do público

  • Público: 90 mil pessoas no domingo (7) e 190 mil ao longo do primeiro fim de semana.

  • Satisfação (GfK) — 1º dia: nota média 8,9 para a experiência geral.

  • Destaques de infraestrutura: palcos, segurança, circulação, bares e banheiros bem avaliados.

  • Notas por pilares: espaço físico (8,8), segurança (8,9), banheiros (8,7), limpeza (8,7).

  • Palcos: Skyline (com Travis Scott na estreia) alcançou 9,1; demais palcos mantiveram média 9,0 — incluindo a novidade Quebrada, já conquistando o público.

Por que importa

O segundo dia do The Town 2025 consolidou o festival como casa simultânea do punk, do rock clássico e da invenção sonora — da catarse do Green Day à presença mítica de Iggy Pop, passando pela firmeza histórica do Bad Religion e pela entrega vocal de Bruce Dickinson. Entre novidades de palco, diversidade de gêneros e avaliação positiva do público, a Cidade da Música encerrou o primeiro fim de semana com cara de evento memorável — e apetite para mais.