Enquanto o C6 Fest rola em São Paulo, alguns artistas do lineup vieram se apresentar no Rio de Janeiro nos sideshows oficiais. Quinta-feira foi o caso de Robert Plant – que ainda segue para Porto Alegre – e, ontem, vez da banda britânica Wolf Alice e da cantora sueca Lykke Li.
As duas são fortes representantes do rock e pop alternativo, respectivamente. Cada atração apresentou um show completo na noite de sexta-feira (22) no Vivo Rio. Embora a casa não estivesse na lotação máxima, o público entregou muita animação às estreantes em terras brasileiras.
WOLF ALICE
À frente de um cenário estrelado, a banda Wolf Alice subiu ao palco primeiro. Guiados pela frontwoman Ellie Rowsell, a banda abriu a noite com um repertório bem diverso. Mesmo que tenham priorizado seu mais novo disco, “The Clearing”, houve espaço para faixas de todos os trabalhos do grupo. Aliás, a transição de estilo é um dos assuntos mais comentados sobre a banda na internet. O trabalho mais recente marcou a troca de gravadora e o primeiro trabalho com o produtor americano Greg Kurstin. Nele, a banda expande a exploração sonora, tendo por exemplo o baterista Joel Amey nos vocais pela primeira vez, além de certa inspiração no estilo dreampop.
No entanto, o show bem costurado prova que a essência da banda na base da obra se mantém. Tanto liricamente quanto no som, que é perfeitamente executado – sem firulas, mas com muita precisão. Passando das faixas com som mais “pesado” até as mais pop, a banda animou o público de acordo com cada segmento. Na alta energia de “Yuk Foo” e “Play the Greatest Hits”, a galera pulava com a vocalista. Na lenta “The Last Man on Earth”, os flashes dos celulares se acenderam. O show também foi de carisma, não só de Ellie como dos outros integrantes. Cada um a sua vez, agradeceram pela recepção em solo brasileiro e o carinho. “Esperamos que não demore tanto para a próxima vez”, concluiu a frontwoman.
LYKKE LI
Com a troca de cenografia, alguns dos presentes estranharam os elementos cobertos com plásticos. Mas essa tem sido a estética dos shows de Lykke Li. O início da apresentação simula uma tempestade ao som de “hard rain” e a cantora, coberta com um poncho e, depois, com uma capa de chuva, canta sobre um tablado de acrílico. A artista tecnicamente iniciou sua nova turnê ontem, aliás. Acontece que ela lançou seu novo álbum, “The Afterparty”, em 8 de maio, há duas semanas, e desde então este foi o primeiro show. Por conta disso, apesar de algumas faixas já terem sido apresentadas no Coachella, contamos com a estreia ao vivo de “Happy Now” e “Not Gon Cry”. E embora o novo trabalho domine a apresentação, teve espaço para pelo menos uma faixa de cada disco de seus quase vinte anos de carreira.
A banda ao vivo segue um roteiro bastante fiel às obras de estúdio. Lykke Li usa efeitos no microfone, toca pandeirola e sintetizadores, se aproximando bastante do som que os fãs já conhecem. O destaque fica na performance: ela canta com o corpo inteiro, desce do tablado para se aproximar do público, gira a capa de chuva, se joga no chão. É um pouco aquela “sua amiga meio doidinha que faz teatro”, mas funciona perfeitamente. Afinal, um dos pontos mais marcantes de sua carreira é o tom dramático de suas letras e melodias, então o show é completo para seus fãs.
CANTORA APRESENTOU COVER EM PORTUGUÊS
O ponto alto, sem dúvidas, foi o cover surpresa de “Sozinho”, música do brasileiro Peninha. Na voz e violão, a sueca se arriscou no português e se saiu muito bem, emocionando o público com a homenagem. E foi enrolada na bandeira brasileira que ela encerrou a noite com seu maior sucesso, “I Follow Rivers” – mas é claro que a faixa se transformou no celebrado “The Magician Remix” no meio, levantando a galera antes de explodir ao som de “Rhythm of the Night”, da (também brasileira) Corona. Ainda com a apresentação no C6 este domingo (24), suspeito que a Lykke Li saia desse início de turnê também um pouco mais brasileira.
Wolf Alice e Lykke Li
Vivo Rio, 22 de maio de 2026.
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