Agnes Nunes voltou aos palcos paulistanos no fim de semana de 8 e 9 de agosto para duas apresentações no Sesc Bom Retiro, trazendo ao teatro da unidade o show que carrega o nome do seu segundo álbum, O Amor e Suas Variáveis (2024). O sábado, dia 8, abriu o fim de semana às 20h, mas foi na apresentação de domingo que a matéria se concentra: um repertório dividido em três atos, paixão, desilusão e superação, que transforma o disco em uma espécie de novela afetiva cantada.
Faixas como “22:22”, construída em cima da superstição de fazer um pedido ao ver horas repetidas no relógio, e “Gente Falsa”, em que a cantora expõe a hipocrisia de quem esconde as verdadeiras intenções dentro de um relacionamento, pedem silêncio de plateia e escuta atenta.
O ponto alto ficou por conta de “A(Maré)”. No momento em que a canção tomou o teatro, foi o público quem assumiu a voz principal, cantando em coro enquanto Agnes conduzia da beira do palco, daqueles instantes em que fica difícil dizer quem estava se apresentando para quem.
O repertório também trouxe “Pode Se Achegar”, parceria com Tiago Iorc, além de releituras de clássicos da música brasileira assinados por Sandra de Sá e Chico César, reforçando o trânsito de Agnes entre o cancioneiro autoral e a tradição da MPB.
Entre uma música e outra, Agnes também parou para falar sobre o papel da arte como ferramenta de transformação: a ideia de que colocar dor, dificuldade e também os momentos bonitos da vida em canção é uma forma de lidar com o que se sente, uma espécie de cura, ou pelo menos de alívio, para quem compõe e para quem escuta. A fala deu ainda mais peso a um repertório que já se estrutura, por natureza, em torno das fases de um sentimento, e reforçou por que o show de O Amor e Suas Variáveis funciona tão bem, é um convite à escuta.
Fotos: Agatha Gameiro / Zimel


















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