Três histórias, três personalidades distintas que convergem em um ponto muito importante na cultura brasileira: a história do samba. E elas são as estrelas do “Maior Encontro do Samba”, turnê que começou este sábado (06) no Rio de Janeiro.
Jorge Aragão encarna o romance, fala de raça, expressa poesia que enche os ouvidos e o coração. Alcione, a Marrom, traz a corajosa paixão no peito, pelos amores, pela espiritualidade, pelo próprio samba. Zeca Pagodinho é um símbolo da boemia, do sorriso aberto, do cotidiano com suas graças e desgraças, da fé no dia a dia. E a magia do nosso samba é que ele pode traduzir todas essas histórias e tantas outras. Costurado nos versos e na interpretação de cada um, entre os tons da gafieira e do bolero. Esse gênero musical já foi considerado de menor escalão e criminalizado como sinônimo de vadiagem, mas ontem teve uma grande noite no estádio do Maracanã. A começar já na abertura: Arlindinho apresentou a turnê que homenageia o repertório do pai, Arlindo Cruz, ícone do samba que nos deixou no ano passado.
Parceria promove megashows no Maracanã
Como divulgado, a Gestão Fla-Flu firmou uma parceria com a produtora 30e para a realização de shows de grande porte no estádio do Maracanã, respeitando o calendário esportivo dos times da casa. A proposta ajuda a reposicionar o estádio na rota das experiências musicais de grande porte, reforçando sua vocação como centro de entretenimento além do esporte. “O Maior Encontro do Samba” e, no fim do ano, “Xuxa – O último Voo da Nave” são duas apresentações confirmadas prévias ao contrato, que inicia em janeiro de 2027, com apoio da plataforma Itaú Live.
O Maior Encontro do Samba
Por volta das 19h45 foi a vez do trio principal da noite subir ao palco. De forma muito simbólica, o show abriu com “Mutirão de Amor” – composta por Aragão, Zeca e Sombrinha e lançada por Alcione em 1983. A ligação entre os artistas estava posta e fez do Maracanã uma roda de samba gigantesca.
Por um lado, sob a direção artística de Leninha Brandão, o espetáculo era uma super-produção belíssima. Um destaque para as artes do telão, que uniam a história do samba à história do Rio de Janeiro. Com elementos que representavam a cidade, o subúrbio, e tantos elementos que fizeram parte da trajetória dos artistas, a cenografia digital também homenageou nomes como Almir Guineto, Cartola e Dona Néia, mãe de Zeca Pagodinho.
Ao mesmo tempo, a espontaneidade é quem entrega alma à apresentação. Não seria uma autêntica roda de samba, afinal, se não houvesse naturalidade no show. Para compor esse clima, em vez de uma estrutura em blocos, o show traz os três artistas no palco a todo tempo, alternando canções do repertório de cada um, entre duetos, solos e trios. A escolha é acertadíssima, afinal, diante desse encontro histórico, o público quer estar na companhia desses ícones o máximo possível.
Além, claro, do inevitável clima de descontração que isso gera. Além de participarem das apresentações um do outro, uma hora alguém implicava com alguém, hora eles se perguntavam de quem era a vez de cantar, hora alguém se atrapalhava com o ritmo ou encarava uma falha técnica. Nas abençoadas mãos de Pretinho da Serrinha, diretor musical, a banda estava preparada para tudo. Com experiência de palco de sobra no palco, o resultado foi mesmo um clima natural e descontraído, elevado ainda mais com a participação de Martinho da Vila.
Participação muito especial

O convidado da noite chegou no terço final do show e apresentou seus sucessos “Canta, Canta, Minha Gente”, “Disritmia”, “Devagar, Devagarinho” e “Mulheres”. Depois, permaneceu no palco até o fim, para alegria de todos. Martinho acompanhou alguns dos maiores sucessos da noite: “Identidade” (Aragão), “Meu Ébano” (Alcione) e “Deixa a Vida Me Levar” (Zeca). A noite acabou em um pout-pourri para não deixar ninguém parado – se é que havia alguém assim. Era inevitável que a noite acabaria com gosto de quero mais, afinal são quase 150 anos de carreira somados no palco. Ao som de “Vou Festejar”, o público composto por toda gente, de todas as idades, cores e crenças, despediu-se unido por esse ritmo que é nosso e que não morre jamais.
“O Maior Encontro do Samba” ainda se reúne em São Paulo, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador, além de um Cruzeiro em 2027.
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