Um dos maiores do Brasil, Djavan está em turnê com “Djavanear 50 anos – Só Sucessos”. Com um nome autoexplicativo, essa sequência de shows celebra a trajetória do artista a partir das músicas que marcaram grandes momentos da sua carreira. Conhecendo o trabalho de Djavan, portanto, sabemos que não são poucas. 

Na primeira apresentação no Rio de Janeiro este sábado (1), o clima e a expectativa da casa lotada eram sensíveis. Os ingressos esgotaram rapidamente para essa apresentação, então foram disponibilizadas duas novas datas: domingo (2), também esgotado, e próximo sábado (8). E não é como se o cantor estivesse há muito afastado dos palcos. Aos 77 anos, esteve recentemente em turnê mundial com seu álbum “D”, com apresentações no Rio de Janeiro, inclusive. Mas é que toda vez do Djavan ao vivo é um acontecimento. O público que chegou cedo ao Farmasi Areja para tirar fotos, escolher um bom lugar, participar das ativações locais e gritar pelo artista (mesmo faltando meia hora ainda para o início) foi prova disso.

O show começou por volta das 21h15, As canções foram escolhidas aqui seguindo o mote “Só Sucessos”. Portanto, são faixas para serem cantadas juntas pelo público, o que funciona com força e desde o início. Abrindo com a sequência “Sina”, “Eu te Devoro”, “Boa Noite” e “Cigano”, o cantor contava com duas backing vocals no palco e milhares de vozes de apoio na plateia. Isso segue com mais ou menos vigor até o final da apresentação, mas o cantor nunca fica sozinho. 

Homenagens 

Fugindo brevemente do setlist padrão, Djavan cantou um trecho de “Delírio dos Mortais” para celebrar o Rio de Janeiro, cidade que, segundo o próprio, deu a luz a quem ele é como artista. Além dos hits óbvios, temos a primeira inclusão em turnê de “Quase de Manhã” como forma de homenagear David Sanborn, colaborador da faixa que abriu oportunidades nos Estados Unidos para Djavan. Em outro momento tocante, sentado no chão na passarela em meio ao público, o artista dedica “O Vento” à saudosa Gal Costa, maior intérprete de suas composições, tendo gravado 13 de suas canetadas no total. O show equilibra momentos dançantes e momentos mais íntimos e tranquilos. 

“Djavaneando”

Da sequência de sambinhas “Serrado”, “Fato Consumado” e “Flor de Lis”, até a sequência um banquinho e um violão de “Meu Bem Querer”, “Oceano” e “Lambada de Serpente”, nada parece fora do lugar. Algumas canções mais novas como a ótima “Um brinde”, lançada no fim do ano passado, ainda não estão na ponta da língua como “Azul” ou “Açaí”, é claro. No entanto, esse é um dos aspectos mais interessantes a se pensar sobre esse show.

Por mais de duas horas de apresentação, somos conduzidos através do tempo. De 1976 até hoje – com destaque para o “hoje”. Djavan é um artista consolidado há tantas décadas assim. Cantor, compositor, no palco toca violão e guitarra e ainda dança. Dono de um carisma ímpar, ele é um mestre na comunicação com a plateia e na forma de conduzir o show. É alguém que está há bom tempo nos holofotes mas, mais que isso, é alguém que transmite o amor em fazer o que faz.

Não à toa segue em atividade, com um trabalho de alto nível, lançando discos de inéditas em vez de viver deitado à sombra de um passado já glorioso. Vemos no palco alguém que, por ele, está preparado para mais 50 anos em atividade. O jubileu de ouro de Djavan é um triunfo e, nele, gerações de Brasil se encontram e se encontrarão por ainda muito tempo.